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NOTA OFICIAL ABEFACO – Descontinuidade temporária da estratégia de vacinação com a vacina Butantan-DV contra dengue

  • Foto do escritor: Abefaco Nacional
    Abefaco Nacional
  • há 3 dias
  • 5 min de leitura

A Associação Brasileira de Enfermagem de Família e Comunidade (ABEFACO) manifesta-se publicamente acerca do anúncio realizado pelo Ministério da Saúde, em 8 de junho de 2026, sobre a descontinuidade temporária da estratégia de vacinação com a vacina Butantan-DV contra dengue, medida adotada em consenso com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e respaldada por instâncias técnicas especializadas de assessoramento em imunizações e farmacovigilância.


A medida foi adotada por precaução após a identificação, pelos sistemas de farmacovigilância, de 42 eventos com sinais de alerta entre aproximadamente 500 mil doses aplicadas, correspondendo a cerca de 0,008% das doses administradas. Desses eventos, três foram classificados como graves, incluindo dois óbitos ocorridos após a vacinação e que permanecem sob investigação para avaliação de eventual relação causal com o imunizante.


Até o presente momento, não existe confirmação de que os eventos observados tenham sido causados pela vacina.


A ABEFACO considera importante esclarecer que a identificação de um sinal de segurança não representa, por si só, a confirmação de um problema relacionado ao imunizante.


Em farmacovigilância, um sinal de segurança é uma informação que sugere uma possível associação entre um evento observado e uma vacina, exigindo investigação aprofundada para determinar se existe ou não relação causal. Trata-se de um mecanismo de alerta que permite aos sistemas de saúde identificar situações que merecem avaliação adicional e tomada de decisão baseada em evidências científicas.


É importante destacar que a ocorrência de um evento após a vacinação não significa, necessariamente, que esse evento tenha sido causado pela vacina. Em uma população de aproximadamente 500 mil pessoas vacinadas, é esperado que ocorram hospitalizações, diagnósticos de doenças e óbitos por diferentes causas, independentemente da vacinação. O papel da farmacovigilância é justamente investigar se os eventos observados ocorreram acima do esperado para aquela população e se existe evidência científica que sustente uma possível relação causal com o imunizante.


A identificação desses sinais demonstra que os mecanismos de monitoramento estão funcionando adequadamente. Em um sistema de saúde robusto, a segurança das vacinas não termina com sua aprovação regulatória. Ela continua sendo acompanhada continuamente por meio da vigilância de eventos adversos, investigação clínica, análise epidemiológica e monitoramento laboratorial.


A ABEFACO ressalta que a identificação de um sinal de segurança não deve ser interpretada como uma falha do sistema de imunização. Ao contrário, representa uma demonstração de que os mecanismos de monitoramento, vigilância e proteção da saúde pública estão funcionando de forma ativa e transparente. A capacidade de identificar rapidamente situações que merecem investigação é um dos pilares da segurança vacinal e da confiança da população nos programas de imunização.


A vacina Butantan-DV cumpriu todas as etapas regulatórias exigidas antes de sua incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS), apresentando evidências de qualidade, segurança e eficácia avaliadas pelas autoridades competentes. Até o momento, o Ministério da Saúde informou que a medida adotada não altera as evidências de proteção observadas nem invalida os benefícios já demonstrados pelo imunizante.


A ABEFACO reconhece e valoriza o trabalho das equipes de enfermagem, dos profissionais da vigilância em saúde, dos laboratórios de referência, dos pesquisadores, das instituições científicas e das autoridades sanitárias envolvidas na identificação, investigação e monitoramento deste sinal de segurança.


A rápida detecção dos eventos, a adoção de medidas de precaução e a publicação de orientações técnicas demonstram a capacidade do Sistema Único de Saúde de monitorar continuamente a segurança dos imunizantes e responder de forma responsável diante de situações que exigem investigação aprofundada.


A Associação destaca que a farmacovigilância é resultado do trabalho articulado de uma ampla rede de profissionais e instituições. Ela depende da atuação integrada das equipes assistenciais, dos profissionais de enfermagem, dos serviços de vigilância em saúde, dos laboratórios de referência, dos pesquisadores, das autoridades sanitárias e dos sistemas de informação.


A identificação de um sinal de segurança somente é possível porque existe uma engrenagem de monitoramento continuamente ativa, capaz de observar eventos, registrar informações, analisar dados e produzir respostas rápidas diante de situações que merecem investigação. Esse trabalho coletivo constitui um dos pilares da segurança vacinal e da proteção da população.


A Associação reforça que a farmacovigilância é uma atividade essencial para a proteção da população e para a manutenção da confiança nos programas de imunização. A confiança nas vacinas não se baseia na ausência de investigações, mas na existência de sistemas capazes de identificar rapidamente possíveis riscos, investigar os fatos com rigor científico e adotar medidas proporcionais para a proteção coletiva.


Nesse contexto, a ABEFACO alerta que situações como esta podem gerar dúvidas e insegurança na população, especialmente em um cenário marcado pela rápida circulação de informações e desinformações sobre vacinas.


Por essa razão, torna-se ainda mais importante que os profissionais de saúde atuem como fontes confiáveis de informação, utilizando estratégias de comunicação baseadas em evidências científicas, escuta qualificada, acolhimento das dúvidas e transparência na comunicação de risco.


A Associação ressalta que interpretações precipitadas podem impactar negativamente a confiança da população nos programas de imunização e comprometer as coberturas vacinais, favorecendo o aumento da vulnerabilidade a doenças imunopreveníveis. Preservar a confiança da população também é uma ação estratégica de saúde pública.


A ABEFACO destaca o papel fundamental das equipes de enfermagem da Atenção Primária à Saúde no reconhecimento precoce de sinais de alarme, na orientação da população, na notificação oportuna de eventos supostamente atribuíveis à vacinação ou imunização e no encaminhamento adequado dos casos suspeitos. A enfermagem permanece na linha de frente da vigilância, do cuidado e da educação em saúde, contribuindo para a segurança da população e para a qualidade das ações de imunização.


Conforme orientações do Ministério da Saúde, pessoas vacinadas recentemente devem permanecer atentas ao seu estado de saúde, especialmente nos primeiros 21 dias após a vacinação, procurando atendimento imediato caso apresentem febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva, sinais de desidratação ou piora do estado geral.


A ABEFACO ressalta ainda que as demais estratégias de enfrentamento da dengue permanecem ativas em todo o país, incluindo a vacinação, a vigilância epidemiológica, o controle vetorial, as campanhas educativas e o apoio técnico aos estados e municípios.


A dengue continua representando um importante desafio para a saúde pública brasileira, com impacto significativo na morbimortalidade, na sobrecarga dos serviços de saúde e nos custos sociais e econômicos associados à doença.


A vacinação constitui uma das estratégias estruturantes para o enfrentamento da dengue, somando-se às ações de vigilância epidemiológica, controle vetorial, educação em saúde, mobilização comunitária e fortalecimento da Atenção Primária à Saúde.


Por esse motivo, a investigação em andamento deve ser compreendida como uma medida de proteção à população e de fortalecimento da segurança vacinal, e não como uma desvalorização da importância da vacinação como ferramenta fundamental para a prevenção e o controle da dengue.


A participação da população continua sendo fundamental para a redução da transmissão da doença, especialmente por meio da eliminação dos criadouros do mosquito Aedes aegypti e da busca oportuna por atendimento diante de sinais e sintomas compatíveis com dengue.


Este episódio também reforça a importância da qualificação permanente dos profissionais de saúde para a identificação, notificação e investigação de eventos supostamente atribuíveis à vacinação ou imunização. A atuação responsável das equipes de saúde, especialmente da enfermagem na Atenção Primária à Saúde, é fundamental para a manutenção da segurança vacinal e da confiança da população nos programas de imunização.


Mais do que uma investigação relacionada a um imunizante específico, este momento representa uma oportunidade para ampliar o conhecimento sobre farmacovigilância e fortalecer a compreensão de que a segurança das vacinas é construída continuamente por meio da vigilância, da ciência, da transparência e do compromisso com a proteção da vida.


A ABEFACO reafirma seu compromisso com a ciência, com a transparência, com a qualificação permanente dos profissionais de saúde e com a defesa incondicional da vida.


Seguiremos acompanhando os desdobramentos das investigações, apoiando a divulgação de informações baseadas em evidências científicas e colaborando com iniciativas que fortaleçam a segurança vacinal, a vigilância em saúde e a confiança da população nos programas de imunização.


GT Imunização

ABEFACO – Associação Brasileira de Enfermagem de Família e Comunidade

Rio de Janeiro, 8 de junho de 2026

 
 
 

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